O assunto 'guerra' é um dos preferidos pelo cinema internacional. A maioria relata os conflitos, dando grande destaque às cenas de violência e combates sanguinários. Porém, desde que "Guerra ao Terror" foi o vencedor do Oscar de Melhor do Filme em 2010, os roteiros que abordam este tema têm se tornado mais inteligentes e proposto uma discussão humanizada das guerras. E é a partir deste ideal que o diretor/ator francês Mathieu Kassovitz (o mesmo de "Le Haine" e "Munique") nós trás uma pequena reflexão sobre um embate desconhecido da maioria no longa A Rebelião (Rebellion, França. 2011).
Em Abril de 1988, na Nova Caledônia, um grupo pró-independência invade uma base militar e faz 30 policiais reféns, além de matar quatro deles. Para restaurar a ordem, o governo francês envia 300 soldados ao arquipélago na Oceania, território anexado de domínio da França. Entre eles está o Capitão da GIGN Philippe Legorjus (Mathieu Kassovitz), um negociador nato que fará de tudo para impedir que a única solução deste impasse seja o confronto armado. Mas, não será somente com os sequestradores que ele terá de negociar, já que o governo francês irá dificultar de todas formas uma saída lenta e diplomática. Isso porque o país se encontra até em ano das eleições presidências.
Ao nos contar está interessantíssima história, Kassovitz mostra algo que já estamos carecas de saber: os responsáveis por tomar as decisões de um país nem sempre são indivíduos com o pensamento adequado para tal função. Nos regimes governamentais existentes, é o subalterno (soldado, empregado ou peão) que vai para linha de frente e presencia todos os fatos. É este que tem o melhor discernimento de que decisões tomar. Mas os políticos, que vivem somente de suas imagens, que tem o poder de decidir quem deve viver e quem deve morrer.

