O retrato realista de uma sociedade argentina conturbada. Os
problemas e as injustiças decorrentes da desigualdade socioeconômica. A
violência, a corrupção, os maus tratos sofridos pela maioria dominada. Essa é a
grande característica de Pablo Trapero, um dos grandes nomes del nuevo
cine argentino. Seu recorte seco e preciso derrama o “sangue” argentino na
tela. Porém não se trata de “diretor-prostituto” – aquele que prostitui a
realidade tornando-a sensacionalista – e sim de um homem preocupado e insatisfeito
com a sociedade de seu país.
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terça-feira, 30 de julho de 2013
Uma Santa Luta
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Luiz Carlos Rocha
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Ricardo Darín
terça-feira, 23 de julho de 2013
E Assim Caminha a Humanidade
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Luiz Carlos Rocha
Ainda desconheço o motivo do esquecimento, por parte da
sociedade latino-americana, de nossa história, nossos heróis e artista. Nelson
Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Salvador Allende, Victor Jara, Violeta Parra,
tantos outros que são lembrados apenas em rodas de discussão de intelectuais.
Onde está a nossa memória? Enquanto esquecemos quem somos e de onde viemos,
somo chafurdados por informações vindas do hemisfério norte. O problema não
estão nas informações absorvidas, mas na substituição daquelas por estas,
esvaindo o que temos de mais precioso: a nossa identidade cultural.
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terça-feira, 16 de julho de 2013
A Natureza Perversa
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Luiz Carlos Rocha
É razoável concorda que nossas vidas são baseadas em métodos
que adotamos, ou seja, uma série de ações tomadas de acordo com princípios
privados. Teóricos dizem fazer parte de nossa cultura tal maneira de proceder,
daí os múltiplos métodos (ensino, política, economia, entrevista de emprego
etc.) mundo a fora.
O chamado
Método Grönholm consiste numa espécie de dinâmica de grupo onde são
avaliados não somente a capacidade de liderança ou a propensão de trabalho em
grupo mais também o comportamento do candidato frente a momentos de
adversidades e pressão. Trata-se de método fictício, é claro. Porém, é dessa
maneira que o autor catalão Jordi Galceran expõe o caráter do homem, na peça O Método Grönholm, quando testado em
competição (de sobrevivência).
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Películas Doradas
terça-feira, 21 de maio de 2013
Bielinsky: Da Crise Se Faz o Marco
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Luiz Carlos Rocha
Com bons roteiros que retratam a realidade argentina mesclando com a dinâmica das escolas americanas, o cinema argentino vem conquistando um público cada vez maior, aqui em terras brasileiras. Filmes como O Segredo dos Seus Olhos (“El Secreto de Sus Ojos”, 2009), Medianeiras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (“Medianeras”, 2011), Um Conto Chinês (“Un Cuento Chino”, 2011), demonstram a força e a aceitação do chamado “novo cinema” argentino. Mas quando surgiu esse “novo cinema”?
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Nove Rainhas,
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Ricardo Darín
terça-feira, 7 de maio de 2013
A Casa e Suas Histórias
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Luiz Carlos Rocha
Ao regressarmos após um longo período longe de casa, damo-nos conta que o tempo não parou e tudo que já não é como deixamos (ou pensamos ter deixado). Mas não foram as pessoas, as construções, as vidas que mudaram. Fomos nós. É a constatação de que não pertencemos mais aquele núcleo (seja familiar, amigos etc.).
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terça-feira, 30 de abril de 2013
De Rousseau a Allende
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Luiz Carlos Rocha
Um dos períodos mais conturbados da recente história chilena é o Governo de Salvador Allende. Passaram-se décadas após sua morte (suicídio), mas permanecem diversas perguntas sem respostas. O estreitamento com a União Soviética, a oposição feroz da direita nacionalista e a insurreição militar que culminou na deposição (óbito) de Allende, foram momentos de euforia, ora para um, ora para outro lado do poder.
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Películas Doradas
terça-feira, 23 de abril de 2013
O Retrato da Grande Buenos Aires
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Luiz Carlos Rocha
Dentre tantos
nomes da nova geração do cinema argentino, o do cineasta Pablo Trapero se
destaca quando o tema é problemas sociais. Sua obra, visivelmente
influenciada pelos grandes mestres do Neorrealismo Italiano, assemelha-se com os
filmes eternizados por Vittorio De Sica (“Ladrões de Bicicleta”, “Umberto D.”, “Milagre
em Milão”).
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Pablo Trapero,
Películas Doradas
terça-feira, 16 de abril de 2013
O Elo Mais Frágil da Guerra
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Luiz Carlos Rocha
Infelizmente, o passado recente de toda a América Latina é recheado por revoluções, ditaduras e guerras civis. Milhares de homens e mulheres foram presos, torturados e brutalmente assassinados em prol de um ideal (torpe ou não). E é uma característica do nosso cinema abordar tal tema. Temos exemplo do Chile de Pinochet retratado por Pablo Larraín (“Post Mortem”, “Tony Manero” e “No”), a Ditadura Militar brasileira por Cao Hamburguer (“O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias”), a Revolução Cubana por Steven Soderbergh (“Chel: El Argentino” e “Che: Guerrilla”), apesar do diretor ser estadunidense… No entanto, o diretor mexicano Luis Mandoki surpreende ao mostra a revolução de El Salvador pela perspectiva de uma criança em Vozes Inocentes (“Voces Inocentes”, México, 2004).
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Películas Doradas
terça-feira, 9 de abril de 2013
Uma Declaração de Amor
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Luiz Carlos Rocha
Uma coisa que não podemos
contestar é a incrível capacidade que Juan José Campanella tem de nos
emocionar. Seus filmes são o retrato de uma sociedade cada vez mais frenética
e, quem sabe, cruel. A vida moderna das cidades, o grande fluxo de informações,
o excesso de responsabilidades que nos impedem de conhecermos a nós mesmos e
aos que nos circundam. É uma espécie de viseira, limitando a nossa visão
periférica. Apenas vemos aquilo que está à nossa frente. Assim é a obra de
grande cineasta argentino.
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terça-feira, 2 de abril de 2013
Uma Comédia Virtual
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Luiz Carlos Rocha
Em tempos de
lucro a todo custo, muitos estúdios vem apostando no segmento da comédia, que
atrai milhões de espectadores aqui no Brasil (“E Aí, Comeu?”, “De Pernas Para o
Ar 2”, “Até Que a Sorte Nos Separe” etc.) e no mundo. Estas produções são
vistas pelos críticos como um chamariz de bilheteria, apesar de não
acrescentar para a formação de uma “identidade” cinematográfica brasileira. O
motivo dessa repercussão é o formato semelhante ao apresentado na TV, o que
gera um sentimento de familiarização com a obra a ser exibida.
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Películas Doradas
terça-feira, 26 de março de 2013
Para Abrir Os Olhos
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Luiz Carlos Rocha
Charles Chaplin costumava dizer que “a vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando
vista de longe”. Nesse sentido, o diretor e roteirista argentino Sebastián
Borensztein nos mostra o quanto é difícil lidar com a perda repentina e a
reclusão voluntária que vem em seguida. Quase um estudo freudiano, o qual
aponta que, em momentos de frustação, usamos do escapismo, seja pelas
substâncias químicas, isolamento, expressão artística, meditação. Temos uma
série de subterfúgios, porém são todas modalidades de fuga do problema. O não
enfrentamento leva ao que chamamos imaturidade emocional e é nessa premissa que
se baseia a tragicomédia Um Conto Chinês
(“Un Cuento Chino”, 2011, Argentina).
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Um Conto Chinês
terça-feira, 19 de março de 2013
Um Jesus Cinzento
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Luiz Carlos Rocha
Considerada a obra-prima do
cineasta mexicano Guillermo Del Toro, Cronos
(“La Invención de Cronos”, 1992, México) nos apresenta uma releitura bem
peculiar da vida de Jesus Cristo. O filme, primeiro a ser dirigido por
Guillermo, mostra-nos uma invenção do século XXVI, um artefato dourado, que
traria a imortalidade. Encontrado por um antiquário chamado Jesus Gris (cinza
em espanhol), protagonizado por Federico Luppi, especializado em esculturas
feitas em madeiras, temos a primeira referencia sobre o Cristo e sua formação
como carpinteiro.
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terça-feira, 12 de março de 2013
Uma História Caliente
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Luiz Carlos Rocha
Como é complicado lidar com um sentimento instável. Dizia
Maquiavel ser da natureza humana a ingratidão, a dissimulação, a covardia. É
certo que ele se referia à política, mas o que é a política senão a conquista e
manutenção do poder e em que ela difere com o amor? Ouvimos diversas vezes a
seguinte frase: “alguém tem que ceder”, mas aquele que abre mão pela felicidade
do outro só o faz mediante conquista. Mas até onde é permitido chegar para se
manter um relacionamento a dois?
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terça-feira, 5 de março de 2013
O Sangue Latino
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Luiz Carlos Rocha
Quando assisti o filme E Sua Mãe Também (“Y Tu Mamá También”,
2001, México), confesso ter me espantado com tamanha história. Na época, não
conhecia o trabalho de Carlos Cuarón como roteirista, aliás, nem o conhecia.
Fiquei surpreso com sua indicação ao Óscar de Melhor Roteiro Original –
merecidamente. O longa, que foi dirigido por seu irmão Alfonso Cuarón, ganhou
grande notoriedade internacional e seus protagonistas, Gael García Bernal e
Diego Luna, conquistaram a “América”.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Equívoco Perfeito: De Hobbes a Bielinky
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Luiz Carlos Rocha
Iniciando a carreira em longas-metragens
de maneira brilhante com o filme Nove
Rainhas (“Nueve Reinas”, 2000, Argentina) que, quatro anos depois, ganhou
um remake hollywoodiano financiado
pela produtora de Goerge Clooney e Steven Soderbergh, em A Aura (“El Aura”, 2005, Argentina), Fabián Bielinsky tentou manter
a sua marca apostando, mais uma vez, na parceria com o ator Ricardo Darín. O
que deu certo. A história tem um caráter dinâmico e surpreendente, que entretém
e aguça o pensamento do público.
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Fabián Bielinsky,
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
A Fantasia Do Medo
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Luiz Carlos Rocha
A Segunda Grande Guerra devastou países, famílias e sonhos.
O terror tomou conta da Europa e enegreceu até mesmo os mais doces corações.
Perderam-se a inocência, a esperança, a credibilidade, a humanidade. Foi o
período, do nosso recente passado, que o caos dominou a Terra e expulsou o azul
do céu e o brilho das estrelas. Foi preciso se amparar na mais retoma esperança
de paz para não sucumbir ao desespero.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
O Que Dizem Os Olhos?
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Luiz Carlos Rocha
Assistir os filmes do diretor
argentino Juan José Campanella é sempre uma experiência emocionante. Choramos,
sorrimos, enraivecemos e sentimos pena. Uma verdadeira montanha-russa
sentimental. São o que chamamos de filmes “redondos” – história bem construída
com um personagem carismático e um fim que fecha toda a trama – os quais,
geralmente, saímos com uma sensação agradável após a exibição.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
El Camino de Violeta
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Luiz Carlos Rocha
Faz dois anos que descobri Violeta Parra. Lembro ainda do meu espanto ao ouvir “Gracias a La Vida”, até então de autoria de Mercedes Sosa, era o quê pensava. Quando escutei voz de Violeta, pude sentir um sentimento contrário ao que ela expressava em sua música. Apesar de agradecer a Deus por todas as graças que lhe deu, notei uma profunda melancolia no passar dos versos.
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Violeta Parra
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Inquietas Sombras
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Luiz Carlos Rocha
Em 78 minutos, o diretor uruguaio Gustavo Hernandéz nos
apresenta uma requintada saída para a problemática dos jovens cineastas: o
baixo orçamento. Com apenas 8 mil dólares, La
Casa Muda (“A Casa”, 2010, Uruguai) conquistou o respeito de inúmeros
jurados dos festivais por onde passou, como o Festival de Cannes.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Conto de Fadas Mexicano
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Luiz Carlos Rocha
Quando conheci o filme Como Água
para Chocolate (“Como Água para Chocolate”, 1992, México), pensei que se
tratava de uma comédia-romântica, como dessas feitas em Hollywood. Por
ignorância minha, desconhecia completamente a história, mesmo sendo um famoso romance
mexicano, homônimo, escrito por Laura Esquival. O que me deixou mais confuso
foi quando li que, segundo a revista Somos,
Como Água para Chocolate está na lista dos 100 maiores filmes produzidos no
México.
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