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sábado, 17 de novembro de 2012

Crônicas de Uma Dada Polônia

(ou: "A Fraternidade não é vermelha nem na Cortina de Ferro")

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.


Fim: mar - retorno à inexistência.

Início: mar; dois homens (Jakub Goldberg, Henryk Kluba) aparecem com um armário na praia. Ambos estão felizes, assemelham-se a uma criança diante de algo inédito, pronto a ser explorado – brincam, fazem caretas, dão cambalhotas –, não conseguem conter a excitação advinda da novidade. Dois Homens e Um Armário (“Dwaj Ludzie z szafa”, Polônia, 1958) é a inocente perspectiva de dois estrangeiros em relação à nova terra e sua respectiva sociedade. Seus olhares ingênuos serão o trampolim para toda a sorte de intolerâncias ao longo da narrativa.

sábado, 10 de novembro de 2012

Eles Amavam A Vida

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.


Aí chegados, na funda bacia
vi gente imersa num limbo asqueroso
que de comuns cloacas parecia
Canto XVIII, Divina Comédia
Dante Alighieri

Um filme de contrastes ou como afirmou Sadoul: “uma película barroca e excessiva”; assim defini-se Kanal (Polônia, 1956). Nele, do borbulhante excremento aflora a sinceridade pela vida, evoca-se o amor no mais plástico dos maus-gostos. Kanal é pesado, não sendo recomendado aos desavisados. Clichês a parte, nem todos vão apreciar a obra, mas ninguém sairá indiferente.

sábado, 27 de outubro de 2012

Olá…

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.

Dois estranhos, um homem (Jan Machulski) e uma mulher (Irena Laskowska), se encontram na praia e passam o dia juntos. Ela usufrui seu ultimo dia de férias, está por tanto no fim de algo, irremediavelmente prestes a retornar. Ele, ao contrário, quer iniciar, desvencilhando-se de um a priori que rege sua companheira.

sábado, 20 de outubro de 2012

A Crônica do Horror

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.

Numa Polônia em reconstrução, Wanda Jakubowska discute os fantasmas que assolaram o país, bem como sua respectiva herança histórica, naquele que foi um dos episódios mais negros da humanidade.

Última Etapa ("Ostatni Etap", Polônia, 1948) é o relato atroz sobre o cotidiano da ala feminina no campo de extermínio de Auschwitz, experiência pela qual a própria diretora passou. Sua estrutura não se prende a um personagem especifico, mas a diversos coletivos interligados (resistência, colaboracionistas e a SS). Logicamente, por um princípio ético, o filme tem núcleo na resistência, mas não esvazia em absoluto o outro lado, embora o estigmatize. Sobressai-se na miscelânea de personagens a: medica soviética Eugenia (ranço de propaganda Stalinista) que personifica a mãe do grupo como consciência maior; e a judia Martha Weiss que abdica de usufruir benesses na condição de tradutora. Ambas se destacam pelo sacrifício em prol da resistência, algo incentivado no período pela configuração política que começava a ganhar corpo na Polônia.

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