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sábado, 4 de maio de 2013

Aqueles que se abraçam com afeto


Aconteceu em Saint-Tropez ("Des gens qui s'embrassent", 2013, França) abriu meu coração para o cinema peculiar e despretensioso de Danièle Thompson. O primeiro contato com a obra como diretora dessa indicada ao Oscar é uma excelente sensação para um cinéfilo. E no mesmo dia a conhecer pessoalmente simplesmente não tem preço. 


sábado, 27 de abril de 2013

Esculpir o Meu Tempo


Eu ainda encontro-me com dor de cabeça. Duas noites se passaram desde o fim do filme e minha mente ainda sente o peso dele. Sua complexidade não foi alcançada por minha imaturidade fílmica e da vida, no entanto, minha jovem curiosidade me fez aguentar tranquilamente sua duração de quase três horas. 163 minutos de socos no estômago, 163 lembretes de "acorde e pense". - Tarkovski não apenas esculpiu o tempo, como modelou em mim um enorme carinho por sua obra.

sábado, 13 de abril de 2013

Presas e Amantes



Alguns filmes nos arrebatam de primeira. Cenas iniciais ou primeiras sequências fortíssimas nos levam a uma imersão profunda e imediata. Já outros demoram, vagarosamente se desdobram, sem afobação e não é por indolência.

sábado, 6 de abril de 2013

A Bomba e a Ruiva



A gente cresce com a imagem de muitos atores, poucos desse grupo realmente permanecem em nossa memória afetiva. Uma delas foi Dakota, da família multitalentosa Fanning, que mais "recentemente" nos brindou com a brilhante Elle. A atuação da caçula das irmãs é devastadora nessa película, e mais, ela está belamente ruiva!

sábado, 30 de março de 2013

Animação Suicida & Musical



Nascemos com a promessa da morte soprando atrás de nossas orelhas frias. A cartilagem congela com o hálito da dama de preto. Crescemos, vivemos como se não houvesse o amanhã. Iludimos-nos de uma eternidade momentânea. Uns, naturalmente esperam o fim, outros, mais corajosos, clamam pelo anjo negro na hora de dor, ou de sofrimento irreversível da alma.

sábado, 23 de março de 2013

Um Susto, Uma Dança



A bailarina dança e o sangue marca seu compasso no chão. Se a câmera estivesse em uma grua, veríamos em um mergulho para cima o desenho do líquido vermelho aos passos da moça que dança. - Falaremos hoje do filme no qual muitos afirmavam "Vai ser um remake daquele filme italiano" ao ouvirem os primeiros rumores do último de Aronofsky .


sábado, 16 de março de 2013

O Melhor do Suspense Norueguês



Assistí-lo veio ao acaso. Encantar-me por ele vem com sentido completo. Daqueles bem escritos e bem dirigidos, capazes de derreter o coração feito de película de qualquer cinéfilo. - A obra da vez é norueguesa, inteligente completamente merecedora de nossa atenção.

sábado, 9 de março de 2013

Ser ou Não Ser, Questiona a Morte




Giorgos Lanthimos, depois de seu aclamado longa Dente Canino, não abandona a quase macabra habilidade como diretor. Ele está longe de criar histórias de terror, porém, caminha-se para dominar o meio do suspense psicológico em mais um interessante filme.

sábado, 2 de março de 2013

O Amante do Cinema



O poder de um amor e de um grande roteiro para contar sua história. Essa fórmula, muito repetida, porém quase nunca no ponto certo, já foi vista e revista por muitos expectadores. Poucos, no entanto, com a beleza e força desse, que pelos motivos "errados" nos faz criar uma relação com os personagens.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Gigante Gentil



O ventre materno pode se romper antes dos nove meses de gestação, assim como o cordão umbilical pode permanecer até o fim de nossas vidas. Estou a falar aqui não da relação saudável entre mãe e filho(a), e sim aquela aonde há uma coleira umbilical, pronta para enforcar o filhote caso ele saia da vista e limites de sua dona. Tratamos agora aqui de um talvez bom exemplo para os freudianos.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Excita-me

 
Não se trata de mais uma comédia americana sobre um menino ou homem cheio de hormônios prontos para serem lançados ao mundo. Não mesmo. Trata-se de uma deliciosa, e original, comédia norueguesa sobre uma menina incompreendida por sua pequena comunidade no interior do país e principalmente por sua assustada mãe. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O Mundo Real Além dos Muros



Simulacros e uma luxuosa caverna. Nem sempre a ignorância é exclusividade do mundo social, às vezes o ambiente privado pode causar demências e simulações muito maiores que qualquer opinião pública ou mídia. A cegueira, afinal, não é apenas patológica; é uma doença com diferentes sintomas e causas. Patologia essa a atingir a maioria de nós, uns com maiores graus que outros, é claro.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O Destino de um Homem




É interessante ponderar como alguns filmes ganham destaque demais, outros de menos. A brilhante atuação de Matthias Schoenaerts passou pelas sombras em premiações. E o próprio filme não teve a atenção que merecia no circuito internacional, embora tenha sido indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme Em Língua Estrangeira. – De uma forma ou de outra, relatamos agora porque essa película merece a sua atenção.


sábado, 19 de janeiro de 2013

A Ideia Deve Viver



Ontem foi meu aniversário, e longe de ter assistido ao filme da minha vida, resolvi dar uma chance ao Vencedor do Urso de Ouro e estreante nos cinemas deste final de semana: César Deve Morrer (Cesare deve morire, Itália, 2012). – Fiz algo terrível antes de vê-lo: li muito sobre ele. Isso para mim sempre matou boa parte da minha própria apreciação, envenenou minha opinião e tirou qualquer brilho curioso de investigação dos meus olhos. Portanto, se quiser se surpreender com o filme, não leia este texto.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Menino e a Gralha



A ausência pode causar tanto ou mais dano do que um factual tapa na cara. Somos obrigados a sentir na pele a ausência, aquilo que nos falta e nos faz falta. Como se nada existisse sem “aquilo” em questão. Vemos-nos perdidos na realidade, procurando “substituições” e condutores onde podemos transferir nossos afetos. Sem nos darmos conta, transformamos-nos aos poucos em uma ave que caiu do ninho e ainda não sabe voar.

sábado, 5 de janeiro de 2013

A vida dos outros... E a minha!



O tempo pode correr tão rápido. Tudo passa em uma velocidade capaz de cortar a nossa pele com o vento. O tempo pode ser mais cruel que qualquer ser humano em sua imaginação, já devorou mais filhos que o Titã Cronos e já deixou mais mulheres de coração partido que qualquer Casablanca. Ainda assim, esse mesmo tempo, fracionário e eterno deu a humanidade a arte que ela precisava: o cinema. A Sétima delas. Fascinando os olhos do homem que faz e do que assiste. Assim como os meus olhos, daquele que sobre ela escreve.


sábado, 17 de novembro de 2012

Crônicas de Uma Dada Polônia

(ou: "A Fraternidade não é vermelha nem na Cortina de Ferro")

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.


Fim: mar - retorno à inexistência.

Início: mar; dois homens (Jakub Goldberg, Henryk Kluba) aparecem com um armário na praia. Ambos estão felizes, assemelham-se a uma criança diante de algo inédito, pronto a ser explorado – brincam, fazem caretas, dão cambalhotas –, não conseguem conter a excitação advinda da novidade. Dois Homens e Um Armário (“Dwaj Ludzie z szafa”, Polônia, 1958) é a inocente perspectiva de dois estrangeiros em relação à nova terra e sua respectiva sociedade. Seus olhares ingênuos serão o trampolim para toda a sorte de intolerâncias ao longo da narrativa.

sábado, 10 de novembro de 2012

Eles Amavam A Vida

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.


Aí chegados, na funda bacia
vi gente imersa num limbo asqueroso
que de comuns cloacas parecia
Canto XVIII, Divina Comédia
Dante Alighieri

Um filme de contrastes ou como afirmou Sadoul: “uma película barroca e excessiva”; assim defini-se Kanal (Polônia, 1956). Nele, do borbulhante excremento aflora a sinceridade pela vida, evoca-se o amor no mais plástico dos maus-gostos. Kanal é pesado, não sendo recomendado aos desavisados. Clichês a parte, nem todos vão apreciar a obra, mas ninguém sairá indiferente.

sábado, 3 de novembro de 2012

A Fraternidade É Vermelha

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.


O Balão Vermelho ("Le Ballon Rouge", França, 1956) compõe uma alegoria acerca das descobertas de funcionamento do mundo social a partir do olhar infantil. Essas descobertas vão operar um salto forçoso da criança para a vida adulta, de modo a estruturar um conjunto de códigos a serem seguidos. O protagonista, no decorrer da narrativa, é inserido a uma normativa que a sociedade espera, sendo obrigado a se desapegar de sua visão particular de mundo, bem como reavaliar seus valores. O balão, nesse sentido, representa seu estado livre, puro (saturação extrema do vermelho technicolor), infantil e criativo que precisa ser tolhido, pois numa sociedade burguesa capitalista que pensa em relações de ordem e causalidade, um elemento fora da “planilha” é temeroso para manutenção de seu status.

sábado, 27 de outubro de 2012

Olá…

Texto escrito por JOSÉ EDUARDO ZEPKA como “Colunista Convidado” para a coluna EuroCine.
O titular da coluna, D.M. RANGEL, estará de volta em dezembro.

Dois estranhos, um homem (Jan Machulski) e uma mulher (Irena Laskowska), se encontram na praia e passam o dia juntos. Ela usufrui seu ultimo dia de férias, está por tanto no fim de algo, irremediavelmente prestes a retornar. Ele, ao contrário, quer iniciar, desvencilhando-se de um a priori que rege sua companheira.

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